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terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Pontos para discutir a Sexualidade na Escola
- Participação Popular: médico, educador e família - esforço conjunto
- Participação Popular, Social e Comunitária são fundamentais.
Em um mundo cheio de transformações, nos questionamos se nossas funções, tais como as conhecemos (como pais, educadores, agentes de saúde), estão de acordo com a realidade social. Parece-nos fundamental a reavaliação desses preceitos.
A migração dos meios de produção e de oportunidades de trabalho, dos centros rurais para os urbanos, trouxe consigo um novo estilo de estrutura familiar - a família nuclear.
O papel da Escola passa a ser fundamental na medida em que grande parte do tempo do jovem é vivido dentro dos "muros da educação".
As tradicionais funções parentais de iniciação à educação de hábitos de higiene, alimentação, socialização, orientação sexual e desenvolvimento de personalidade das crianças e dos jovens estão sendo exercidas em grande parte pelos educadores, exatamente pela demanda de tempo que os pais têm em atividades produtivas fora do lar.
E a escola está preparada para desempenhar tais funções?
Com quem deve ficar a função da Orientação Sexual?
Os agentes de saúde aqui se tornam indispensáveis. A aplicação de conhecimentos especializados pode agregar grande valor ao desenvolvimento físico e emocional dos jovens e na elaboração dos conflitos que permeiam o amadurecimento. Atividades integradas entre as famílias, os educadores (Escolas) e os agentes de saúde tornam-se uma necessidade. Sem a participação da comunidade, o processo todo perde sua guia.
Atividades integradas
As Escolas devem buscar auxílio nas entidades que trabalham com Sexualidade Humana na própria cidade (se interior, procurar as da capital) para obtenção de informações de saúde pública no que tange à sexualidade humana e desenvolvimento psico-sexual e sobre profissionais que possam desenvolver atividades integradas e especializadas.
A elaboração de cursos, eventos, palestras e seminários sobre a sexualidade e seus diferentes enfoques deve ser planejada com a participação dos profissionais de saúde da área de sexologia, pais, educadores e representantes estudantis.
O enfoque deve ser dado de acordo com o contexto social de cada região, respeitando-se as tradições locais e a religião predominante e também conforme a idade do público alvo. Não adianta discutir inicialmente a anticoncepção com crianças que ainda não sabem o básico da atividade sexual. Deve-se ter em mente uma atividade progressiva.
- Usar material audiovisual, atividades criativas e técnicas mais ativas como psicodrama para manter a atenção dos jovens.
- Alguns tópicos devem ser sempre abordados: fisiologia dos órgãos sexuais, gravidez, anticoncepção e masturbação.
- Atividades podem ser realizadas inicialmente para os pais, para orientação destes em relação à própria sexualidade, para depois introduzir-se a idéia de educação de seus filhos.
- O assunto da sexualidade ainda apresenta muitos tabus, devendo ser questionado e discutido com delicadeza e sem imposição de valores.
Fonte: http://www.abcdasaude.com.br/
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Orientação Sexual
Orientação sexual na interdisciplinaridade
EDUCAÇÃO SEXUAL
Por envolver valores culturais e sociais, a sexualidade precisa ser ensinada sob os mais variados enfoques. Desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1986, a Educação Sexual em muitas escolas ainda se restringe às aulas de Ciências.
Os temas propostos nos PCNs e sistematizados no projeto da FDE -, podem ser desenvolvidos em turmas do Ensino Fundamental, sempre tomando o cuidado de adaptar o conteúdo para as diferentes faixas etárias e níveis de conhecimento.
A ABORDAGEM EM DIVERSAS DISCIPLINAS ( de acordo com Nivaldo Leal dos Santos, gerente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e responsável e coordenador do projeto Prevenção Também se Ensina).
ARTES
Estudo sobre a representação do corpo expressas em diversas épocas, nas diferentes manifestações artísticas.
Produção de desenhos, esculturas e pinturas que tenham como tema o corpo humano.
Montagem de cenas teatrais que tenham como tema o drama dos jovens em relação à gravidez na adolescência, sexo, amor, amizade etc.
Produção de campanhas publicitárias de prevenção à DST/AIDS e gravidez na adolescência.
Expressão corporal por meio da dança.
Discussão sobre a discriminação dos meninos nas atividades artísticas (dança principalmente).
CIÊNCIAS NATURAIS
Transformações do corpo na puberdade, relacionando-os também ás mudanças emocionais e psicológicas.
Mecanismos de concepção, contracepção, gravidez e parto.
Tipos de exames de sangue feitos nos testes de gravidez e HIV.
Formas de transmissão e de prevenção do vírus HIV.
EDUCAÇÃO FÍSICA
O respeito ao corpo e a construção de uma cultura corporal. Como gostar do próprio corpo e respeitá-lo, física e psicologicamente.
Questionamento dos padrões de beleza ditados pela mídia.
Atividades em que ambos os sexos possam fazer juntos, sem separação entre meninos e meninas.
GEOGRAFIA
Levantamento das regiões brasileiras em que a fecundidade é maior ou menor e suas razões.
Estudo das regiões mais afetadas pela epidemia da AIDS no Brasil e no mundo e as causas dessa vulnerabilidade.
Pesquisa sobre a forma como o vírus da AIDS se espalhou pelos diversos continentes.
HISTÓRIA
O papel da mulher na sociedade através do tempo, suas lutas e conquistas.
Como a sexualidade é vivida em diferentes culturas, tempos e lugares.
A expressão da sexualidade por meio do vestuário e da maneira de enfeitar e lidar com o corpo.
O corpo e os modos de usá-lo, representá-lo e valorizá-lo em diversas sociedades.
A homossexualidade e os povos antigos. A homossexualidade na história.
LÍNGUA ESTRANGEIRA
Exploração das diferentes conotações atribuídas ao masculino e ao feminino em vário países e culturas.
LÍNGUA PORTUGUESA
Estudo das regras do idioma que estabelecem o plural no masculino (o que inclui as mulheres). Por que o plural feminino exclui os homens?
Leitura de textos literários, jornalísticos ou poéticos que falem sobre situações de violência contra a mulher e contra homossexuais.
Análise dos verbetes “homem” e “mulher” no dicionário e as diferenças na forma de tratamento.
Percepção das características de gênero pela análise de personagens de romances de época.
MATEMÁTICA
Produção de gráficos e tabelas sobre: gravidez na adolescência no Brasil; avanços na epidemia da AIDS em diferentes populações.
Estudos sobre a possibilidade de engravidar nos diversos períodos do ciclo menstrual.
É importante que se saiba que segundo pesquisa realizada pelo ministério da Saúde, a partir de dados do Censo Escolar, as dificuldades começam no despreparo dos professores, passam pelo medo dos pais e pela atual cultura relacionada a sexo. O relatório mostra ainda que, quando existe alguma informação, ela não é aprofundada de forma que consiga transformar comportamentos.
As escolas recebem inúmeras crianças de vários níveis sociais e, no entanto, não há tempo, profissionais preparados e materiais adequados para desenvolver sequer as disciplinas obrigatórias, quem dirá os temas transversais, como o da sexualidade. É preciso que o Estado perceba que nem todos os professores são capazes de trabalhar o tema. O profissional de educação sexual precisa estar livre de preconceitos, sejam eles frutos de sua vivência, religião ou ponto de vista, pois um trabalho feito de forma preconceituosa pode ter o efeito contrário ao esperado.
O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação desenvolvem o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Programa este que estimula as escolas a adotarem a educação sexual em seus currículos e discute com pais, professores e diretores a melhor forma de distribuir preservativos aos jovens. O SPE também é desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e divulgada no ano passado, a escola é o segundo lugar mais apontado pelos jovens para obter informações sobre aids. Em primeiro vem a família e em terceiro a televisão.
Conforme o estudo do governo federal, a maioria das escolas tem o professor como responsável pelas atividades relacionadas à área de DST/Aids. Os professores capacitados para conscientizar os jovens correspondem a 43% do total pesquisado e os não capacitados são 35% do todo.
Profissionais de saúde de nível superior também participam das atividades em 36% das escolas, assim como os profissionais de saúde de nível médio (18%), membros de Organizações da Sociedade Civil (8%) e outros profissionais (19%). "Tratar sobre sexualidade e prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e aids dentro do ambiente escolar tem contribuído para derrubar tabus e despertar a consciência dos jovens, promovendo uma transformação social onde há cada vez menos espaço para a discriminação.
O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas preocupa-se em estimular ainda mais o ensino da educação sexual nas escolas. Para auxiliar na divulgação do programa, foi elaborado o Guia de Formação para Profissionais de Saúde, que auxilia na capacitação dos profissionais de educação e saúde que trabalham junto à população. Existe também o Guia de Formação para Jovens, com um conteúdo mais apropriado para essa faixa etária.
Além dos guias, são montadas oficinas macrorregionais com representantes da Secretaria de Saúde, Universidades e demais interessados no projeto. Nas oficinas surgem discussões de questões como sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, cidadania e planos de ação.
O governo criou o Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) em 2003. Além da prevenção de doenças, o programa também leva informação ao adolescente sobre o uso da camisinha para evitar a gravidez. A iniciativa surgiu com a proposta de trabalhar em conjunto as três esferas (federal, estadual e municipal) do governo nas áreas de Saúde e Educação.
Para implementar essas ações, o poder público conta com a colaboração da Unesco e da Unicef. O Saúde e Prevenção tem como finalidade ampliar ainda mais a disponibilização de preservativos nas escolas..
A Pesquisa sobre Comportamento Sexual e Percepções da População Brasileira sobre HIV e Aids (1998-2005), realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostra que o brasileiro está usando cada vez mais o preservativo na sua primeira relação sexual. Em 1998, 47,8% dos indivíduos entre 16 e 19 anos utilizaram a camisinha na sua primeira relação. Em 2005 foi constatado que esse numero subiu para 65,8%.
O crescimento está relacionado com o aumento das campanhas de divulgação.
Proibir é lutar contra a natureza: Descobrir o corpo e como ele pode dar prazer (o corpo erótico) faz parte do desenvolvimento da criança. Ao perceber a sensação gostosa que o toque provoca, ela vai querer repetir o ato.
As aulas sobre sexualidade são marcantes para os jovens, pois nelas eles aprendem a conhecer seus desejos, necessidades e afetos (e a lidar com eles).
A postura do professor orientador ao tratar do assunto é muito importante. Por isso, os especialistas recomendam prestar atenção nos seguintes detalhes:
Qualquer dúvida, por mais simples que pareça, é relevante e pertinente.
Ouvir, mais do que falar, é a melhor conduta. Estimule o debate e deixe os estudantes tirarem as próprias conclusões.
Caso alguém pergunte, sua opinião sobre o tema deve ser dada no final da discussão.
Apresente informações científicas sempre que necessário, sem emitir juízos.
Para não expor ninguém, o ideal é levantar dúvidas sem personalizar (os estudantes encaminham as questões por escrito ou produzem cartazes em que todos escrevem o que já sabem sobre determinado assunto).
Perguntas sobre a conduta pessoal dos alunos são constrangedoras, pois pode parecer que você quer policiar as atitudes deles. Mantenha a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada.
As escolas com programas de educação sexual costumam comunicar os pais sobre a iniciativa antes de iniciar as aulas.
Geralmente a idéia é bem acolhida. Mas muitas famílias temem que as conversas levem a uma iniciação precoce da vida sexual do adolescente, o que (obviamente) não é o objetivo da escola. Por isso, nas conversas com os familiares, cabe aos professores:
Mostrar que a educação sexual está prevista nos PCN e faz parte do projeto pedagógico.
Enfatizar que o papel da escola é passar informações científicas e propiciar o debate de temas pertinentes à idade de cada turma, tentando com isso aplacar as angústias dos adolescentes em relação ao tema.
Explicar que o objetivo maior é fazer com que os jovens tenham uma vida saudável e entendam o que acontece com eles quando os hormônios estão em ebulição.
Deixar claro que os valores morais e religiosos da família não serão questionados em nenhum momento.
Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um bate-papo em sala de aula com os estudantes (eles podem contar como lidavam com a sexualidade quando eram adolescentes e, diante de um grupo grande de jovens, sem a pressão de estar "a sós" com o filho, ouvir os dilemas da moçada de hoje).
Proporcionar atividades paralelas aos alunos cujos pais se oponham à participação do filho nas atividades de educação sexual.
Pessoas com deficiências físicas, mentais ou sensoriais manifestam sua sexualidade tanto quanto os demais. O problema é que muitos os consideram "anormais" e, portanto, vêem essas atitudes também como anomalias. O tratamento deve ser igual para todos, com abordagem adaptada ao tipo de deficiência do aluno.
Com alunos com deficiência mental, é preciso tornar as informações mais acessíveis e repeti-las várias vezes usando linguagem simples, material concreto ou exemplos. Geralmente quem tem deficiência física apresenta auto-estima corporal baixa por não se enquadrar no "padrão de beleza". Falar do corpo, para eles, costuma ser difícil. Histórias de pessoas com deficiência que se realizaram pessoal e profissionalmente podem ajudar muito assim como a adaptação das atividades de sala de aula para incluí-los.
Alunos com deficiência visual precisam de material concreto para manipular, como modelos dos órgãos sexuais e esquemas em alto-relevo.
Já quem tem deficiência auditiva nem sempre consegue explicar suas dúvidas para o educador, que muitas vezes tem dificuldade para transmitir as informações a eles. A solução é usar muitas figuras, diagramas e esquemas para facilitar a visualização e a assimilação dos conteúdos.
Toda criança tem a tendência de imitar os adultos. O que normalmente vêem na TV, cenas de novelas e filmes faz com que elas comecem a despertar o desejo sexual de forma errônea tornando-se difícil a reeducação. Os pais precisam tomar consciência do que seus filhos fazem, assistem e aprendem.
A fase da descoberta é também a fase onde crianças e adolescentes testam limites e tanto em casa como na escola precisam ser informados dos limites, do que podem e do que não podem fazer. Portanto a educação sexual na escola desde o ensino fundamental é muito importante para o bom desenvolvimento da criança que pretendemos formar. A escola complementa a educação familiar contribuindo para que se formem verdadeiros cidadãos.
Profª. Augusta Schimidt/2007
Fonte: http://www.usinadeletras.com.br/
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